Muitas vezes um exemplo negativo ensina mais que um
positivo. Eu tive um chefe, que por motivos óbvios manterei seu nome em
segredo, que me ensinou diversas formas de como não se deve gerenciar. A
primeira que me vem em mente era uma placa que tinha na sala dele, onde se lia
uma única palavra: PENSE! Ora, será que alguém precisa pedir isso? Alguém
consegue não pensar? Se sim, me ensine, porque às vezes é tudo que eu gostaria
de fazer. Pense! Mas pensar em que? Pensar em como seria bom que o final do
expediente chegasse logo? Pensar em como está demorando a chegar sexta-feira?
Parece-me, hoje, que esta palavra queria demonstrar certa erudição, mas que
sugeria mais pedantismo que outra coisa.
Veja outra pérola destes dias. A empresa tinha um programa
de premiação para o funcionário que não tivesse nenhuma falta ou atrasos
durante o mês; creio que era algo em torno de dez por cento do salário. Mas o
fato é que pouquíssimas pessoas ganhavam este prêmio, e as que o faziam, como
elas diziam, era mais por autodisciplina do que pelo estímulo do prêmio. O fato
é que este meu chefe, quando ia entregar o prêmio, quase sempre para a mesma
pessoa, fazia questão que todos parassem o que estavam fazendo e ouvissem o
mesmo discurso de sempre, onde ele colocava o ganhador em um pedestal e os
demais abaixo do solo. Todos, eu incluso, ficávamos tão desmotivados com esta
situação que, quando por algum descuido, estivéssemos próximos a conquistar o
prêmio, fazíamos uma hora a mais no almoço e isso era suficiente para não
passarmos pelo vexame de ser “elogiados” pelo chefe. Admito que a intensão da
empresa fosse louvável, mas a forma como o meu chefe executava era sofrível.
A minha sugestão é que, ao elogiar em público a atitude de um
colega da equipe, devemos fazê-lo de forma honesta, simples e principalmente,
focada somente na atitude do elogiado e nunca salientando a não atitude dos
demais. As pessoas que não estão sendo elogiadas, se quiserem, farão suas
próprias e pessoais comparações. Se quem está elogiando se propuser a fazer
comparações, ao menos que as faça em relação a si próprio e com mais ninguém.
Deve ser honesta, pois um falso elogio é facilmente percebido pelo elogiado e
pelos demais. E simples, porque não é preciso fazer longos discursos para expressar
o que é essencial. Ao elogiar a atitude e não a pessoa, minimizamos o risco de
o elogio ser confundido com bajulação.
Um elogio feito de forma correta tem efeito positivo
imediato no elogiado e no médio prazo nos demais. Se feito de forma precária, o
efeito negativo é imediato em todos.
Bom trabalho!

