sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A “sabiduria” do rezador.

Contaram-me, certa vez, uma história a respeito de um empreendedor que passava por uma situação crítica em sua empresa. As vendas nem iam tão mal assim, mas parece que algo dava sempre errado. Chamou consultorias, seguiu as recomendações, mas qual o que, a situação não se invertia. Um dia, já cansado de buscar soluções ortodoxas, tentou algo inusitado a um homem de negócios: procurou um rezador. Depois de ouvir todas as suas inquietudes, o velho caboclo, com toda simplicidade, deu a receita. “– Fio, tudo dia vancê chega no seu trabaio, vai inté um canto do garpão i reza um Padre Nosso. Dispois, suncê vai andano divagarinho inté u canto oposto do garpão, e lá reza mais um. Ai suncê vai inté o canto das direita, reza mais um. Travessa di novo o garpão, divagarinho, vai inté o canto oposto, i faiz a úrtima reza. Assim, suncê reza in cruiz tudo dia. Faiz isso cum fé, que tudo di certo vai si sucedê.”
O empresário saiu da casa do rezador meio sem acreditar muito, e já achando que tinha perdido tempo. Fato é que no dia seguinte, ele resolveu dar um voto de confiança ao caboclo, e fez exatamente como havia sido orientado. Afinal de contas, mal não faria. Pois não é que ao caminhar por entre máquinas e pessoas, ele começou a ver uma porção de coisas, que aconteciam ali no chão de fábrica, que ele nem sonhava ocorrer! Passou a cumprimentar seus colaboradores e alguns ele nem sabia o nome. Passou a ver processos sendo executados de forma totalmente diferente que ele havia concebido. Alguns colaboradores, vendo todos os dias o patrão passar por ali, resolveram quebrar a barreira da timidez e passaram a relatar problemas que estavam ocorrendo. Por fim, ele foi obrigado a reconhecer, o velho caboclo acertara exatamente o ponto onde originavam seus problemas: o piso, onde tudo acontece.
Talvez isso não seja estranho para quem é gestor. Quantas vezes nos pegamos em situação semelhante a esta, onde parece que estamos fazendo tudo certo, mas algo não termina bem. Qualquer que seja o negócio, o local onde se realizam os propósitos, é no piso. E por ser assim, também é lá, e eu diria até que, é só lá, que encontraremos as soluções para os problemas. O hábito saudável de cumprimentar as pessoas, trocar um par de minutos de conversa com elas, com regularidade, proporciona a qualquer líder a presença necessária, e a confiança imprescindível para se gerir qualquer negócio, seja qual for sua função. Desenvolver relacionamento é a chave. Mas para isso, presença é a estratégia. Qualquer um que acredite que vai conseguir gerir longe de seu time, pode ser considerado candidato à camisa de força. Não há máquina, equipamento, processo, sistema, ou seja lá o que for, que não seja tocado por gente. E como nos ensina Caetano, na música Gente - “Gente quer comer, gente quer ser feliz / Gente quer respirar ar pelo nariz / Não, meu nego, não traia nunca essa força, não / Essa força que mora em seu coração.”
Se você tiver o bom senso de ouvir o que essas pessoas têm para dizer, certamente receberá a solução da maioria dos problemas de seu negócio. Sim, você vai ouvir também uma porção de reclamações e lamentos. Trate-os com respeito e dignidade. Diga sim, ao que for sim. E diga não ao que for não. Eles saberão respeitar nossas decisões se formos honestos com eles. Com o tempo as lamúrias irão diminuindo e as boas dicas aumentando. Minha dica é: Chegue perto do seu time, pois como aprendeu nosso amigo empresário, “mar num haverá di fazê”.

Bons negócios!

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O pecado do planejamento

“Tomou, pois, o Senhor Deus o homem, e o pôs no jardim do Édem para lavrá-lo e guardá-lo. Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.” 
Gênesis 2:15-17 

Grandes problemas em processos e projetos acabam ocorrendo por falta de acompanhamento. Eu ouvi uma vez que, a diferença entre profissionais orientais e ocidentais é que enquanto os primeiros planejam, planejam, planejam, planejam e depois executam, nós aqui planejamos, executamos e corrigimos, corrigimos, corrigimos... Evidente que essa citação está carregada na tinta, mas não raras vezes nos vemos em apuros com processos e projetos que, de repente, desandam feito maionese, por que confiamos demasiadamente na qualidade do plano e nos esquecemos de acompanhar os passos da execução. O ciclo do PDCA, idealizado por Shewhart e amplamente divulgado e aplicado por Deming, nos ensina que após planejar (P) e executar (D), temos que monitorar (C), verificando se o que está sendo feito condiz com o plano original, e se não for assim, tomar de ações (A) para corrigir. Inúmeras vezes nos dedicamos tão intensamente à execução que nos esquecemos, ou deixamos para segundo plano, a checagem. E ao nos depararmos com insucessos, percebemos que o desvio começou muito antes da constatação do problema.


Uma boa ferramenta para acompanhamento de processos, por sua simplicidade, é o CEP – Controle Estatístico do Processo, que nos permite verificar, por meios visuais, se o processo está isento de causas especiais. A grande vantagem do CEP é que podemos visualizar tendências, e tomar ações corretivas antes que atinjam os limites, portanto, saia do controle. 
Para acompanhamento de projetos, nada como o bom e velho cronograma, que deve ser colado na parede, bem à frente de quem o controla, e que se tenha o saudável hábito de, diariamente, atualizar. 
Certamente existe uma miríade de outras ferramentas, com mais ou menos inovações tecnológicas embarcadas, que no final das contas fazem sempre o mesmo: mostram se o que se planejou está sendo executado. Entretanto, não conheci até agora, tecnologia que resolva problema de “atitude”. Se não quisermos controlar, nada nos obrigará. Talve este seja o maior pecado de quem planeja algo. 
Justificando a citação bíblica inicial. Eu costumo dizer que, se Deus não houvesse checado se o primeiro casal havia seguido seu plano, talvez ainda estivéssemos no paraíso. 

Bons projetos!