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quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

O “Não, porque...” e o “Por que não?”


Há quem diga que é difícil dizer "não", mas no mundo corporativo eu penso que é a palavra mais utilizada.

Na minha vida empresarial, eu tenho visto dizer-se "não" com uma facilidade sem tamanho. Ouve-se muito "não, porque...", e preenchem as reticências com um sem número de justificativas. O contrário, diante de um fato novo, de um dilema, de um problema ou sugestão, dizer: "Por que não?" encerra um pensar melhor, um dar-se ao trabalho de ousar, um desafio ao status quo. Quem justifica insiste no passado, quem questiona cria o futuro.

Como já nos ensinou Einstein, só se obtém resultados diferentes, fazendo as coisas de outra forma. E só se faz as coisas diferentemente, se pararmos de nos justificar com o passado e pensar em fazer algo diferente para mudar o futuro.

Ok, mas no mundo do qual estamos tratando, o medo de errar (ousar) é tanto que reprime as iniciativas. Então aqui me dirijo aos dirigentes, com perdão do trocadilho, mas cabe a quem dirige tirar essas nódoa do passado de procurar culpados e adotar o salutar desejo de descobrir as causas.

Não vejo necessidade e nem acho que deva me estender mais sobre o tema. Recado dado.

Boa mudança!

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Sobre vira-latas e imperadores.


Nos idos de 1950, por ocasião da derrota do Brasil para o Uruguai na Copa, Nelson Rodrigues identificava nos brasileiros o complexo de inferioridade, que ele chamou de “complexo de vira-lata”.
Muito antes disso, conta-se que o Imperador Júlio Cesar, morto por volta de 44 antes de Cristo, precisava de um servo que ficasse lembrando-o de que era careca. A intensão era fazer com que ele, o Cesar, nunca se esquecesse de que era um ser humano.
Embora estes temas tenham sido amplamente abordados, por diversas ocasiões e cenários, eu, pretensiosamente, quero ligá-los agora ao tema de gestão de empresas e seus setores. Vi uma entrevista do ex-presidente Lula, a respeito de sua política externa, em que ele dizia que “nada pode atrapalhar mais uma negociação do que entrar nela se achando superior ou inferior em relação ao seu interlocutor”. Independente da opinião de cada um sobre ele, não se pode negar que negociação foi o que ele mais fez na vida.

Se juntarmos estas histórias, poderíamos concluir que: - negociar achando-se um vira-lata ou um Júlio Cesar, dificilmente trará os resultados desejados. Em diversas experiências de gestão, pude presenciar boas ideias e bons argumentos, naufragarem devido à incapacidade dos negociadores de chegar a um denominador comum. Muitas vezes isso se dava por pura arrogância de um, frente à subserviência de outro, ou vice-versa. Negociar é um verbo amplo, e tenho para mim que, a maior parte do tempo que passei gerindo, estive negociando algo. Convencer alguém a fazer, ou deixar de fazer algo, é negociar. Ter boa argumentação, indicadores, números, estatísticas e outros apoios, é apenas uma parte do arsenal que se deve levar para uma mesa de negociação. Nada disso tem efeito se, primeiro, você não conseguir que seu interlocutor lhe ouça. Em negociações entre empresas de tamanhos diferentes, ou entre pessoas de níveis hierárquicos muito distantes, isso tende a acontecer. Negociadores em situação elevada tendem a querer que seus interlocutores o obedeçam cegamente, ou acreditar que o que eles dizem não faz sentido, ainda que nem saiba direito o que disseram. Mas, o resultado disso, normalmente é desfavorável para ambos. Em negociações, sempre haverão interesses a serem atendidos, e é insano acreditar que somente os seus o serão.

Chefes, ou seja lá como prefiram classificar os que ocupam os níveis superiores da hierarquia das empresas, costumam achar que a sua condição é suficiente para que seus liderados o obedeçam, independente de suas próprias ideias e convicções. Saint-Exupéry, no best seller das misses ao redor do mundo, nos conta a conversa que o rei tem com o Pequeno Príncipe: “-Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se em gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem - ele ou eu - estaria errado?” Pois é, devo dizer que vi muitos “reis” dando ordens semelhantes. E pior, não entendendo a razão de não serem entendidos e prontamente obedecidos. Ao se pretender que sua equipe aja de uma determinada forma, não estamos fazendo nada além do que negociar com eles. Ninguém faz bem aquilo que é forçado de alguma forma, mas ao contrário, ao estar convencido de que é o melhor a ser feito, o faz de forma comprometida.


Boas negociações!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Sobre sapos e estrelas

Embora amplamente divulgada e comentada, esta história parece que insiste em ser atual. Pessoas que não percebem que o entorno esta mudando, até que seja tarde demais para tomar uma atitude. Agarram-se intensamente em mastros de navios que estão para naufragar ao invés de buscar uma alternativa. E pior, acreditam que se mantendo firmes em suas posições, farão alguma diferença.


Para quem ainda não conhece (se é que há alguém), a síndrome do sapo diz que, se pusermos um sapo dentro de uma panela, com a mesma água de sua lagoa e formos aquecendo essa água, ele morrerá fervido, mas não notará que a condição mudou. Nunca fiz esta experiência, mas a comprei como verdadeira.

Infelizmente encontramos muitas pessoas que agem como o sapo. Ao não perceber que o entorno está mudando, permanecem em suas posições e, tal como os dinossauros, um dia deixarão de existir. As mudanças ocorrem o tempo todo, sem que haja aviso ou antecipação. Quando vemos, já mudou. O mundo é assim, e se não percebemos isso, entramos na nossa água conhecida e morremos felizes e cozidos.


Outra frase usada à exaustão é a de Einstein, onde ele afirma que “não há nada que seja maior evidência de insanidade do que fazer a mesma coisa dia após dia e esperar resultados diferentes”.
É sempre melhor fazer algo, por menor que seja, mas diferente do que se fez até então, do que achar que as coisas resolverão por si mesmas.  Há uma estória que ilustra esse pensamento:

Logo ao nascer do sol, uma pessoa que caminhava pela praia, notou ao longe uma criança que apanhava as estrelas do mar que estavam na areia, e as arremessava de volta para a água. Ao se aproximar, perguntou:
- Por que você está fazendo isso?
- Não vê que a maré baixou e o sol está brilhando forte? Se essas estrelas ficarem aqui na areia vão secar no sol e morrer! – respondeu o garoto.
A pessoa até que achou boa a intenção, mas comentou:
- Só que existem milhares de quilômetros de praia por esse mundo afora, meu caro. Centenas de milhares de estrelas do mar devem estar espalhadas por todas essas praias, trazidas pelas ondas. Você aqui, jogando umas poucas de volta ao oceano, que diferença faz?
O garoto olhou para ele, pegou mais uma estrela na areia, jogou na água do mar e disse:
- Pra essa, fez toda a diferença.
Muitas vezes, na intensão de fazer grandes coisas, esquecemo-nos de fazer as pequenas.


Faça algo simples e boas mudanças!